Conseguimos terminar, em 25 horas e pouco, o nosso trekking. Largada no dia 26 de setembro de 2009.
Eu e mais 3 amigos brasileiros, resolvemos participar do trekking beneficente organizado pela Oxfam, chamado Trailtrekker. O objetivo era arrecadar no mínimo 2 mil euros (arrecadamos quase dois mil e quinhentos) e percorrer o percurso de 100 kilometros entre montanhas e vilas rurais, em no máximo 30 horas. Idealmente, terminarem os quatro juntos. Formamos o grupo “Are we there yet?”, algo como “Já tá chegando?”, e nos inscrevemos.
Os 100 km cruzariam a fronteira das duas Irlandas, numa região que todos que conversei, diziam ser belíssima. E de fato era…
Foi difícil desde o começo... A arrecadação foi complicada. Os amigos do Brasil doaram um bocado, como se vê aqui, na pagina do time, e fomos todos pedir para todos do trabalho, vizinhos e tal. O Tatiano (capitão do time), trabalha no Starbucks e conseguiu que os funcionários doassem sua cota de produtos por alguns dias, e com isso, montamos 3 cestas cheias de café, canecas, garrafinhas. O valor de venda de cada cesta era cerca de 200 euros. Fazendo uma rifa, a 10 euros cada, vendemos bem, e conseguimos finalizar a arrecadação.
Beleza, mas isso era só um pedaço. Todo mundo se preparando, caminhando, correndo e tal.
Precisávamos de montar um time de apoio, que você era obrigado a ter. Ao longo do percurso de 100 km, haveriam 9 chekpoints, onde nos encontraríamos com o grupo de apoio (em 3 deles, o grupo não teria acesso) para trocar de roupa, recarregar a mochila, passar gel e outras coisinhas. Mesmo nos pontos em que o grupo de apoio não podia chegar, o suporte era muito bem organizado.
Aliás, isso foi algo impressionante. A quantidade de voluntáios mobilizados para apoiar o evento, com uma disposição incrível, foi algo inacreditável. Para se ter uma idéía, no ponto de apoio do meio do caminho, tinha uma "foot clinic", onde o cara pegava no seu pé, podrão, fazia curativo, depois uma massagem e tal.
Mas ok, montamos o grupo de apoio, com as namoradas/esposas de três dos caras. A Sandrinha não poderia ir, pois seria muito desgastante para o Theo, passar tanto tempo preso num carro, quase sem dormir. Conseguimos que um casal de amigos (Eduardo e Teresa) fizessem o restante do apoio. Alugamos uma van, o Eduardo foi o motorista.
Enchemos a van de coisas e fomos embora na sexta feira, a largada seria as 7 da manhã do dia seguinte. Dormimos em um hotel bem legal perto de lá, chegamos já bem tarde no hotel, por volta das 10 da noite. Foi dormir, acordar 5 e pouco, e café da manhã na largada...
Caminhada
começando, todo mundo hiper-empolgado, um visual fantástico, estradinhas bem legais e no primeiro checkpoint já não encontraríamos o nosso grupo de apoio.
Tudo bem, centenas de pessoas, todas chegando quase juntas, seguimos em frente, e no segundo checkpoint sim, o grupo de apoio lá, esperando. Comidinha posta, comer, tirar foto e seguir para a travessia desse rio logo atrás da foto.
O tempo inteiro só tempo bom, o que foi fantástico, seguimos em frente, e depois dos 30 km começamos a sentir cansaço, os pés começando a doer. Em cada checkpoint, Calminex, um analgésico, café e bola pra frente. Até que chegamos na parada dos 50 km, extremamente cansados. Apenas dois dos caras, o Tatiano e o Gustavo, tinham bastões de caminhada. Conseguimos que o Edu encontrase mais dois pares para comprar e pegamos a partir daí.
Paramos por tempo demais, cansados demais, nesse ponto… O reservatório de água do Eduardo (o que caminhava, não o do apoio) furou, e ele teve que tomar um banho, pois tinha Gatorade no reservatório, e ficou todo melado. Todo mundo fez massagens e tal, mas até que enfim, ficamos prontos pra sair. Agora, todo mundo com seus bastões…
Depois dessa parada tão longa, e já começando a anoitecer, demoramos a esquentar de novo. O frio veio chegando com a noite, não muito, mas friozinho. Um trecho de montanha, uma parada estratégica, com sopa, música irlandesa e etc, e seguindo em frente. Todos prontos pra seguir de novo. Moídos, já olhavamos cada placa de distância em contagem regressiva (faltam tantos quilômetros)
Já duas e tanto da manhã, uma das últimas paradas, inventei de tomar um guaraná em pó que me deixou mal daí em diante… Desceu pessimamente, e me derrubou no final, mas…
Ja faltavam só uns 20 km. Os últimos 5, devemos ter demorado quase 2 horas, mal conseguíamos pisar no chão. Meu pé, completamente dolorido, a palma do pé dava choque só de tocar o chão…
Mas chegamos!!! Vendo a placa de 100 km, todo mundo começa a chorar de alegria, alívio, por ter conseguido, chegamos inteiros, os quatro juntos!
Depois disso, massagem pra se recuperar, e apagar… 25 horas sem dormir, levando seu corpo a exaustão, foi merecido…
Depois da volta pra casa, 3 dias quase sem conseguir andar. O corpo inteiro moído…
Se eu faria de novo? Certamente, ainda mais agora que aprendi que:
- não bebo tanta água, e com tanto ponto de apoio podia ter levado bem menos água (mochila mais leve)
- idem pra comida, come-se algumas frutas e umas barrinhas, nada de encher a mochila
- paradas rápidas, idealmente comendo sem nem parar, pra não deixar o corpo esfriar, que ele sofre ao voltar…
As fotos que tiramos estão aqui:
http://picasaweb.google.com/arewethereyet.trailtrekker
O restante das equipes, e a própria organização do evento, postou fotos aqui
http://www.flickr.com/photos/oxfamireland/sets/72157622368539955/
Isto aqui, por fim, dá uma idéia do percurso:
https://netdub.oxfamireland.org/NetCommunity/Page.aspx?pid=234
Obrigado de coração a todos que doaram, ajudaram, apoiaram e torceram. Conseguimos e valeu a pena cada minuto!
3 comments:
Re, que experiencia mais legal essa sua. Super admiro vcs. bjs, Lo
Que lagal, so de ler imaginei a loucura, experiencia bacana de mais, mto legal mesmo!!
Parabens p tu e sua equipe!
Renato,
que bom ter notícias suas...
Fico muito feliz por suas empreitadas!!!!
Parabéns e muitas saudades!!
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